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Sociedade
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APAV revela que "RelationChip" era campanha contra a violência no namoro: "O controlo é real"

A APAV esclareceu o mistério em torno do "RelationChip", um suposto produto tecnológico lançado no dia 9 de fevereiro. O que parecia ser um microchip subcutâneo para monitorizar parceiros era, afinal, uma campanha de sensibilização para denunciar a normalização do controlo nas relações entre jovens.

Redação

Sob o mote "O RelationChip era falso, mas o controlo é real", a APAV pretende confrontar a sociedade com comportamentos que, embora pareçam "aberrantes" num dispositivo eletrónico, são praticados diariamente através de telemóveis e redes sociais.

O "produto" que chocou as redes sociais

O falso lançamento prometia uma revolução nas relações amorosas com "zero segredos", oferecendo rastreamento de localização 24/7, acesso a passwords e monitorização de contactos. A iniciativa gerou uma onda de críticas imediatas nas redes sociais, com muitos utilizadores a apontarem o carácter invasivo e abusivo do conceito.

"Aquilo que parecia aberrante num chip é, na verdade, o que muitos casais fazem diariamente e normalizam", explica João Lázaro, Presidente da APAV. O objetivo da campanha foi usar este "espelho" tecnológico para clarificar que o controlo não é uma prova de amor, mas, sim, um sinal de violência.

Dados preocupantes: Quase 4 mil vítimas apoiadas

A revelação da campanha surge acompanhada de dados estatísticos alarmantes. Nos últimos quatro anos, a APAV apoiou 3 968 vítimas de violência durante e após as relações.

  • 29% dos casos envolveram jovens com menos de 25 anos.

  • As agressões incluem controlo, violência psicológica, perseguição e violência sexual.

  • O controlo é identificado como a forma de violência mais normalizada entre as camadas jovens.

"Muda o chip": Como identificar os sinais

A campanha entra agora numa nova fase de divulgação em mupis digitais, Instagram e TikTok, com a mensagem: "Muda o chip. Controlo no namoro é violência".

A APAV alerta para os principais sinais de risco numa relação:

  • Exigência de acesso a passwords;

  • Rastreamento contínuo da localização;

  • Monitorização de comunicações e redes sociais;

  • Controlo das amizades e movimentos do parceiro.

A associação recorda que está disponível para apoiar qualquer vítima através da Linha de Apoio à Vítima (116 006), gratuita e confidencial, disponível nos dias úteis entre as 8h00 e as 23h00.