O projeto, intitulado Young2Health Literacy (Young2HL), tem como foco inicial o desenvolvimento de competências na área do Suporte Básico de Vida (SBV).
A Escola Secundária Joaquim de Araújo, em Penafiel, foi palco esta quinta-feira, 27 de novembro, da apresentação de uma nova plataforma digital destinada a promover a literacia em saúde entre as camadas mais jovens.
O projeto, intitulado Young2Health Literacy (Young2HL), tem como foco inicial o desenvolvimento de competências na área do Suporte Básico de Vida (SBV).
Após a sessão de apresentação da ferramenta, o evento prosseguiu com a realização da Conferência Internacional de Literacia em Saúde para Jovens.
A iniciativa é financiada pela Agência Nacional Erasmus+ e é liderada pela ETACADEMY – Executive Training Academy, sediada em Leiria. O consórcio parceiro integra a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), a Associação Nacional de Emergência, Socorro e Catástrofe (ANESC) e a EK AMALIADAS (Ergastiriako Kentro Amaliadas), uma organização grega dedicada ao apoio juvenil.
A missão do Young2HL centra-se na capacitação dos jovens através de soluções digitais, visando dotá-los de conhecimentos e competências que permitam a tomada de decisões informadas sobre saúde e uma resposta eficaz em situações de emergência.
A plataforma, já disponível online, foi desenhada para integrar a literacia em saúde no sistema educativo. O portal disponibiliza conteúdos interativos, desafios, dicas e recursos digitais, bem como o acesso a formações. Segundo os promotores, os objetivos principais do projeto dividem-se em três eixos:
Educação Acessível: Disponibilização de recursos médicos, independentemente da localização geográfica ou condição económica dos utilizadores;
Construção de Comunidade: Criação de uma rede de partilha de conhecimento entre estudantes e profissionais de saúde;
Inovação Pedagógica: Desenvolvimento de ferramentas para melhorar a aprendizagem e a prática médica.
No âmbito do desenvolvimento do projeto, foram realizados levantamentos estatísticos e ações de formação preliminares. De acordo com os dados apresentados, 291 jovens portugueses e 97 jovens gregos responderam a questionários utilizando a escala adaptada eHEALS (eHealth Literacy Scale).
Ao nível da formação prática, o projeto registou a participação de 110 estudantes numa sessão de treino massivo de Suporte Básico de Vida, realizada na AERSI, na localidade de Carreira, em Leiria.
A plataforma é "simples e intuitiva". Está disponível em português, inglês e grego, e pode ser consultada em www.young2hl.eu.
Durante a sessão de lançamento, Pedro Cepeda, presidente da Câmara Municipal de Penafiel, sublinhou a importância estratégica da literacia em saúde como veículo de prevenção. Para o autarca, o investimento nesta área visa inverter a lógica de apenas "curar a doença", privilegiando a "promoção de estilos de vida saudáveis".
Pedro Cepeda destacou o papel multiplicador dos estudantes, esperando que levem os conhecimentos adquiridos para o seio familiar. "É uma forma de, junto dos nossos jovens, fazermos com que eles possam levar melhores conhecimentos em termos de saúde para as suas famílias, para os seus pais e para os seus avós", afirmou o edil, classificando a iniciativa na Escola Joaquim de Araújo como um instrumento fundamental para a comunidade.
A operacionalização da plataforma foi detalhada por Filipe Serralva, da Associação Nacional de Emergência, Socorro e Catástrofe (ANESC). O diretor clínico confirmou que a ferramenta ficou ativa esta quinta-feira, descrevendo-a como um "material de estudo fidedigno", desenhado para combater a "informação errónea e enviesada" que circula online sem fiscalização de entidades competentes.
Segundo o representante da ANESC, a plataforma arranca com foco na literacia em saúde global, Suporte Básico de Vida (SBV) e saúde mental, mas está previsto o carregamento progressivo de novos conteúdos, nomeadamente sobre alimentação e atividade física. O objetivo final, explicou, é permitir aos jovens "usarem todas as suas potencialidades" para serem "mais felizes".
Apesar da ausência física, Paula Figueiredo, diretora da ETACADEMY, interveio através de mensagem de vídeo, reforçando que a literacia em saúde ultrapassa a capacidade de "ler uma bula ou seguir uma receita". A responsável instou os alunos a utilizarem a ferramenta para saberem "quando pedir ajuda" e "como agir numa emergência", definindo o público jovem como a "geração do futuro", capaz de influenciar positivamente a comunidade.
Filipe Serralva justificou a escolha de Penafiel para este projeto-piloto com o facto de a ANESC, apesar de ser uma associação nacional, ter a sua sede no concelho. Destacou a parceria de "excelência" com o Agrupamento de Escolas Joaquim de Araújo, mas sublinhou que a ambição é alargar a iniciativa a todas as escolas que queiram aderir, de forma estruturada.
O projeto apoia-se numa rede de parcerias consolidada, incluindo um protocolo com a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS), existente desde 2022, e a colaboração com os parceiros gregos da EK AMALIADAS. Serralva valorizou esta cooperação internacional que, apesar das semelhanças socioeconómicas entre Portugal e a Grécia, permite "abrir horizontes" e identificar novas possibilidades de investigação.
Questionado sobre a faixa etária abrangida, o responsável esclareceu que o projeto não se limita ao ensino secundário, estendendo-se ao universitário. Defendeu um conceito de "jovem" mais lato e prolongado no tempo, abrangendo todos aqueles que ainda não constituíram família ou não possuem autonomia financeira, independentemente de terem mais de 18 anos.
Para ilustrar o impacto esperado, Filipe Serralva partilhou os resultados de um estudo comparativo realizado durante o projeto, onde a formação de SBV foi ministrada a portugueses (na língua materna) e a gregos (em inglês). O responsável relatou que, na Grécia, a formação de três dias gerou um efeito de disseminação imediato:
"No primeiro dia estavam retraídos (...), mas no segundo dia contaram aos amigos e já tínhamos alunos à porta a dizer que queriam fazer a formação. No terceiro dia foi fantástico, era uma festa, estavam ansiosos pela formação", descreveu.
Para a organização, este exemplo valida a premissa de que o Suporte Básico de Vida é universal e fácil de apreender, esperando-se agora que a plataforma digital replique este espírito de "contágio e disseminação" em Portugal, tornando a comunidade mais segura.