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Porto
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APA chumba deslocalização da estação de TGV em Gaia: Vilar do Paraíso é uma "zona periférica" sem transportes

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) rejeitou a proposta de deslocalização da futura estação de alta velocidade (TGV) de Vila Nova de Gaia, que previa a mudança de Santo Ovídio para Vilar do Paraíso.

Redação

 Na decisão conhecida hoje, dia 22 de dezembro, a entidade fundamenta o chumbo afirmando que a nova localização deixaria a infraestrutura numa "zona periférica", sem a "necessária intermodalidade com outros meios de transporte público".

Falhas na intermodalidade e acessos

A APA reprovou as alterações propostas pelo consórcio AVAN Norte, que incluíam não só a mudança da estação, mas também a construção de duas pontes sobre o rio Douro. Segundo a fundamentação da agência, a solução de Vilar do Paraíso apresenta "acessos rodoviários limitados" e falha num dos pressupostos centrais do projeto: a garantia de ligação à rede de transportes públicos.

Em contraste, a localização original em Santo Ovídio, integrada no respetivo Plano de Pormenor e articulada com a linha de metro, foi avaliada no Estudo Prévio como tendo "impactes socioeconómicos positivos e significativos", criando uma nova centralidade e estimulando a qualificação urbana.

Incertezas sobre o Metro e Metro Bus

O consórcio sugeriu que a acessibilidade em Vilar do Paraíso poderia ser assegurada pela futura "Via de Ligação 3", prevista pela Câmara de Gaia, onde operaria um Metro Bus, ou através de uma extensão da Linha Amarela do Metro do Porto. Contudo, a APA sublinha que a intermodalidade não está assegurada nesta fase. A Metro do Porto emitiu um parecer afirmando que "não está prevista, nos seus planos de expansão, a extensão da rede" até à nova localização proposta. A agência ambiental nota ainda que, mesmo que essa expansão viesse a acontecer, os seus impactes não estão avaliados.

Dúvidas incompatíveis com a fase do projeto

Apesar de a Câmara de Gaia considerar que Vilar do Paraíso acompanha o crescimento da cidade, a autarquia exige a construção do metro até ao local. Para a APA, esta exigência revela que existem "várias incógnitas e incertezas não compatíveis" com a atual fase de verificação da conformidade ambiental.

A decisão reflete também as preocupações manifestadas durante a consulta pública, onde a falta de ligação à rede de transportes foi apontada como um aspeto crítico pelos cidadãos. A APA conclui que as questões de acessibilidade "não foram estudadas com o aprofundamento necessário", desconhecendo-se as implicações territoriais reais desta solução.