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Sociedade
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GNR detém 59 pessoas por crimes de incêndio: Uso negligente do fogo motiva maioria das detenções

Até 17 de abril, a GNR efetuou a detenção de 59 cidadãos por incêndios rurais em território nacional, sendo a maioria das ocorrências devida à negligência.

Redação

A Guarda Nacional Republicana (GNR), no âmbito das suas competências de vigilância e proteção do património natural, revelou esta semana dados preocupantes relativos à incidência de incêndios rurais em território nacional. Até ao dia 17 de abril de 2026, a Guarda já efetuou a detenção de 59 cidadãos pelo crime de incêndio. A análise das causas efetuada pelas autoridades revela que a esmagadora maioria das detenções está associada a "comportamentos desadequados no uso do fogo".

O balanço operacional indica que 57 dos 59 cidadãos foram detidos por negligência em queimas e queimadas de sobrantes que se descontrolaram. Este dado reforça a necessidade de maior precaução por parte das populações rurais, uma vez que o uso negligente continua a ser o principal propulsor das ignições em Portugal.

Braga e Vila Real lideram balanço de detenções no Norte

A distribuição geográfica dos detidos coloca os distritos de Braga e Vila Real no topo da lista nacional, com 14 detenções efetuadas em cada um. Segue-se o distrito de Leiria, com 10 detidos, e a Guarda, com seis. No distrito do Porto, as autoridades procederam à detenção de quatro indivíduos.

No que diz respeito à área ardida, os dados provisórios indicam que arderam 7 675,30 hectares até 15 de abril de 2026. Este valor representa um aumento significativo face ao ano de 2025, onde arderam 3 418 hectares em período homólogo, e aproxima-se dos registos de 2023, quando a área consumida atingiu os 7 415 hectares. A GNR sublinha que a floresta é um "recurso estratégico" que ocupa mais de um terço do território nacional, exigindo uma vigilância constante.

Perfil dos detidos e faixas etárias predominantes

O relatório dessegrega os detidos por faixa etária, revelando que a maioria dos cidadãos que incorreram em crimes de incêndio se encontram em idades ativas ou avançadas. O grupo etário entre os 41 e os 50 anos é o mais representativo, com 18 detenções. Logo a seguir, surge a faixa dos 51 aos 64 anos, com 16 detidos, e o grupo dos 75 aos 84 anos, com 13 cidadãos implicados.

Estes números demonstram que a falta de cuidado no manuseamento do fogo atravessa várias gerações. A autoridade recorda que, independentemente da idade, a responsabilidade criminal é aplicada sempre que se verifique o desrespeito pelas normas de segurança que resultem em incêndio, colocando em risco a vida de pessoas e o património coletivo.

Operação Floresta Segura sinaliza mais de sete mil terrenos

No âmbito da "Operação Floresta Segura 2026", a GNR já sinalizou 7 664 terrenos para limpeza obrigatória. Embora o número total de sinalizações tenha sofrido um decréscimo em comparação com os 10 417 terrenos identificados em 2025, a Guarda mantém-se firme na identificação de infrações. O distrito de Leiria lidera as notificações para limpeza com 1 794 sinalizações, seguido de Bragança com 1 068 terrenos. No Porto, foram registadas 144 sinalizações.

Para o leitor marcoense que possui propriedades ou reside em zonas florestais, é fundamental recordar que a gestão de combustível é uma obrigação legal. Para travar a destruição do património natural, a GNR reforça os seguintes conselhos: "Nunca realize queimas ou queimadas sem o prévio registo nas plataformas oficiais" e "evite o uso do fogo em dias de vento forte ou temperaturas elevadas".

A autoridade apela ainda a que os cidadãos nunca abandonem uma queima de sobrantes sem garantir que a mesma está totalmente extinta. Para denúncias de infrações ou esclarecimento de dúvidas, a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) funciona em permanência. Através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), a GNR garante que se manterá "vigilante e firme na identificação de comportamentos que coloquem em risco a segurança coletiva".