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Sociedade
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Pneumologistas condenam patrocínio de bolsas de nicotina no Primavera Sound Porto

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia condenou hoje a promoção de bolsas de nicotina no Primavera Sound Porto, alertando para a forte dependência nos jovens.

Redação

A contestação médica e científica a estratégias comerciais associadas à dependência de substâncias ganhou eco no setor dos grandes eventos culturais do país. A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) condenou publicamente “a promoção aberta” de bolsas de nicotina no festival Primavera Sound Porto, alertando que estes produtos provocam forte dependência e podem incentivar o consumo de nicotina entre os mais jovens. Através da sua Comissão de Trabalho de Tabagismo, a sociedade médica emitiu um comunicado a alertar que “as bolsas de nicotina não são inócuas”, contendo substâncias químicas perigosas e uma carga altamente aditiva.

O posicionamento comercial adotado pela organização do festival foi alvo de duras críticas por parte dos especialistas em saúde respiratória. O coordenador da referida comissão, Daniel Coutinho, afirmou categoricamente que “promovê-las num ambiente de festa e lazer é um retrocesso lamentável na saúde pública e uma total falha de responsabilidade social por parte da organização do festival”. Em concreto, a SPP manifesta a sua “profunda preocupação e total repúdio” perante a associação comercial e a atribuição de ‘naming rights’ de um dos palcos principais do evento à marca de bolsas de nicotina oral ZYN.

Impacto nas gerações mais novas e o processo legislativo

A vulnerabilidade do público-alvo que frequenta o recinto gerou forte apreensão entre os clínicos. Os especialistas relembram que o Primavera Sound Porto é um dos maiores acontecimentos culturais do país, atraindo anualmente dezenas de milhares de jovens. É, por essa razão, com grande perplexidade que assistem “à promoção aberta e desinibida de um produto que induz uma forte dependência e que serve, comprovadamente, como porta de entrada para o consumo de outros produtos de nicotina ou tabaco entre as gerações mais novas”.

A polémica surge também num momento de transição jurídica no ordenamento legal português. Os especialistas observam que este patrocínio surge “num momento crítico” em que o Governo português se encontra a finalizar o processo legislativo para proibir a publicidade destas bolsas de nicotina, precisamente com o intuito de salvaguardar a saúde pública e proteger os menores. A SPP alerta para esta estratégia de marketing da indústria, apontando que a mesma utiliza “os grandes eventos de massas para normalizar e expandir o consumo destes produtos aditivos antes que a lei entre em vigor, contrariando o effort nacional de combate à dependência de nicotina”.

Ausência de resposta da organização e apelo ético

Antes de emitir a sua tomada de posição pública, a comunidade médica tentou obter esclarecimentos diretamente junto dos promotores do evento portuense. A Comissão de Trabalho de Tabagismo refere que contactou formalmente a organização do Primavera Sound Porto por via eletrónica, pedindo esclarecimentos sobre “a posição oficial do festival e os critérios éticos subjacentes à aceitação deste patrocínio”, mas, até à data, ainda não obteve qualquer resposta.

Os pneumologistas mantêm-se intransigentes na defesa da saúde das populações mais vulneráveis face aos interesses comerciais do setor. "Não podemos aceitar que marcas associadas à dependência e à indústria do tabaco ganhem este palco de destaque junto de uma população tão vulnerável”, critica a SPP. Face ao sucedido, os especialistas apelam a “uma reflexão urgente” por parte das promotoras de eventos culturais em Portugal e reiteram a sua total disponibilidade para colaborar com as entidades públicas e privadas na sensibilização para os perigos reais das novas formas de consumo de nicotina.