Para Conceição, que encontrou na madrinha o colo que a mãe biológica lhe negou, o ramo entregue hoje em Penafiel é o símbolo de uma dívida de amor impagável.
Neste domingo, 29 de março de 2026, quem percorrer as ruas, especialmente na região Norte do país, cruza-se facilmente com mãos carregadas de flores, lembranças e ramos de oliveira. O Domingo de Ramos, também conhecido como o Domingo da Paixão do Senhor, é uma celebração cristã móvel que antecede a Páscoa. Evoca o episódio, narrado nos quatro evangelhos, da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, onde foi acolhido por uma multidão que estendia mantos e agitava ramos de palmeira pelo caminho.
Contudo, ao longo das gerações, este gesto de saudação e boas-vindas transbordou das igrejas para o seio das famílias. Nasceu assim o Dia das Madrinhas. A tradição popular portuguesa, com raízes muito antigas e profundas no Norte, ditou uma divisão justa no calendário dos afetos: o Domingo de Ramos é dedicado às madrinhas, guardando-se o Domingo de Páscoa (este ano assinalado a 5 de abril) para homenagear os padrinhos.
Mais do que um compromisso assumido na pia batismal, o apadrinhamento em Portugal é, muitas vezes, a âncora de uma família. E se hoje as marcas e o comércio fazem um esforço notório para dar mais destaque à data, lembrando que as flores frescas são a retribuição perfeita para o tradicional folar, a verdade é que o valor emocional deste dia dispensa campanhas publicitárias. Para muitas pessoas, a madrinha não é apenas uma presença simbólica nas festas; é uma amiga, uma conselheira e, nos casos mais extremos, a salvação.
