De acordo com o mesmo jornal, Eliana Vieira, hóspede portuguesa que entrou no hotel no domingo, descreveu ao CM as condições em que os hóspedes têm vivido durante estes dias, criticando a gestão do estabelecimento pela falta de organização. “Estamos prisioneiros, estamos com medo”, afirmou, acrescentando tratar-se de “uma semana de férias estragada”.
Ainda segundo o Correio da Manhã, que cita o jornal espanhol La Verdad, o surto terá começado após o almoço de sábado, onde foram servidos um peixe e uma massa de espinafres alegadamente contaminados. Horas depois, vários hóspedes — incluindo bebés — começaram a manifestar sintomas. Perante a situação, o hotel encerrou a cozinha para desinfeção, passando a recorrer a catering externo.
A solução não agradou a Eliana e a outros hóspedes, por não corresponder ao que lhes foi prometido no momento da reserva. Com os serviços de pequeno-almoço, almoço e jantar cancelados, é disponibilizado um “piquenique pequeno-almoço” — com um bolo, fruta e água, mediante pedido na receção — alternativa que muitos consideram insuficiente. Eliana acusa ainda o hotel de impedir o cancelamento das reservas e de recusar reembolsos: “Lesam os clientes, não devolvem os valores pagos, nem servem as refeições atempadas”, disse. “Neste momento, só queremos ir embora. [...] Estamos a viver o terror, o pânico.”
No hotel estarão alojados pelo menos 400 portugueses. O balanço mais recente, citado pelo La Verdad na terça-feira, indica que 20 pacientes, oito dos quais crianças, mantêm-se internados. A afluência às urgências no domingo e na segunda-feira foi significativa, e as autoridades montaram um hospital de campanha no recinto do estabelecimento.
Os sintomas da bactéria tendem a surgir 12 a 36 horas após a ingestão de comida contaminada, podendo o período de incubação estender-se até 72 horas, segundo o Correio da Manhã.