logo-a-verdade.svg
Portugal
Leitura: 5 min

Túnel do Marão: 10 anos e 45 milhões de passagens pela obra que mudou a mobilidade e a economia do Norte

O Túnel do Marão, que liga Amarante a Vila Real na A4, celebra dez anos de abertura. A infraestrutura já foi atravessada por 45 milhões de veículos.

Redação

A Infraestruturas de Portugal (IP) anunciou esta quarta-feira, dia 6 de maio, que o Túnel do Marão já foi atravessado por 45 milhões de viaturas. A infraestrutura, inserida na Autoestrada 4 (A4) entre os concelhos de Vila Real e Amarante, comemora esta quinta-feira uma década desde a sua inauguração oficial, que ocorreu a 7 de maio de 2016.

A abertura ao tráfego aconteceu à meia-noite do dia seguinte, 8 de maio, e desde então a via assumiu-se como "uma infraestrutura essencial para a mobilidade entre o litoral e o interior norte do país". Segundo a IP, em comunicado, este túnel de 5,6 quilómetros de extensão tem contribuído de forma decisiva "para a coesão territorial e para o desenvolvimento económico da região de Trás-os-Montes e Alto Douro".

Fim das portagens impulsiona crescimento do tráfego rodoviário

Os dados divulgados confirmam um aumento substancial na utilização desta via de comunicação que serve toda a região, incluindo a população marcoense e os concelhos vizinhos. A IP destaca que, "em 2025, registou uma média superior a 17.000 veículos por dia, confirmando uma tendência de crescimento sustentado nos últimos quatro anos". Esta evolução surge "após o levantamento das restrições associadas à pandemia" e ganhou especial tração com a abolição das portagens neste troço da A4, medida concretizada a 1 de janeiro de 2025.

A título de análise comparativa, o tráfego médio diário anual subiu de 13.312 veículos em 2022 para o registo de 17.560 no ano de 2025. O período mais atípico da infraestrutura verificou-se em 2020, fortemente marcado pelas restrições da covid-19, ano em que a média diária se fixou nos 9.590 veículos.

A entidade gestora avalia que, ao longo desta última década, o túnel tem "desempenhado um papel estratégico na rede rodoviária nacional, reforçando a ligação entre regiões", com a vantagem de estar a facilitar "a circulação de pessoas e mercadorias e contribuindo para a valorização económica do território".

Zero acidentes graves e segurança reforçada no trajeto

Um dos indicadores mais positivos deste balanço aos dez anos de operação é a taxa de sinistralidade. A IP sublinha, com especial ênfase, que "desde a abertura, não há registo de vítimas mortais ou feridos graves no túnel".

A nova travessia permitiu "substituir o antigo traçado da Serra do Marão, caracterizado por condições geométricas exigentes e elevada sinistralidade". Esta alternativa ao sinuoso Itinerário Principal 4 (IP4) acabou por cumprir o seu propósito, "reduzindo significativamente os tempos de percurso e melhorando a segurança rodoviária".

A empresa pública nota que o "túnel representa um marco da engenharia nacional", não só pela "complexidade técnica da sua construção", mas também pelas "soluções implementadas em matéria de segurança, ventilação, iluminação e monitorização operacional". A infraestrutura é composta por duas galerias unidirecionais, estando equipada com videovigilância, deteção automática de incidentes e postos SOS, "garantindo elevados padrões de segurança e fiabilidade".

Para assegurar uma resposta rápida em caso de emergência, foi alocada ao local, em 2018, uma equipa de intervenção permanente composta por três bombeiros, operacionais que pertencem às corporações de Amarante e da Cruz Branca de Vila Real.

Investimento estruturante para o desenvolvimento do Norte

A conclusão do Túnel do Marão marcou o fim da construção da A4, que permite hoje a ligação contínua entre o Porto e Bragança. Este troço específico entrou em funcionamento após um conturbado processo de sete anos de obra, que incluiu três paragens nos trabalhos e o resgate da concessão por parte do Estado. O investimento global na infraestrutura totalizou 398 milhões de euros, montante que beneficiou de um apoio comunitário de 89,9 milhões de euros.

A Infraestruturas de Portugal garante assumir a gestão desta travessia "com orgulho", destacando o seu prestígio "enquanto obra emblemática da engenharia nacional". A entidade reitera o seu compromisso "com elevados padrões de segurança, eficiência e qualidade na rede rodoviária", assegurando a realização periódica de trabalhos de reparação e manutenção para garantir a total operacionalidade da via.