Natural de Vila Boa de Quires, Paula recorda que emigrou aos 18 anos, por falta de oportunidades e para acompanhar o pai que já trabalhava fora. “Não havia possibilidades de prosseguir estudos e o meu pai convidou-me para a beira dele. A verdade é que acabámos todos por ir, e vimos a família novamente reunida”, explica.
Em França, construiu uma vida profissional e familiar. Trabalhou em turismo, limpezas e, mais tarde, em supermercados, chegando a responsável de loja. Foi também lá que conheceu o marido, Luís, de Paredes, com quem formou família. Os filhos — Vitória, hoje fluente em português e francês, e Valentim, de cinco anos — nasceram ambos no estrangeiro. Apesar de uma vida estável, o desgaste da rotina e a dificuldade em conciliar horários com a vida familiar começaram a pesar. “As minhas férias eram muito restritas, via o Luís e as crianças gozarem as férias e eu não. Ficava triste. Comecei a ficar cansada desta compatibilidade”, confessa.
A vontade de regressar intensificou-se também por causa dos filhos: “Se queríamos esta mudança, tinha de ser agora. Para a Vitória, que tinha dez anos, era a idade ideal para adaptar-se.” Em agosto do ano passado, regressaram definitivamente. O marido juntou-se alguns meses depois, e a família voltou a reunir-se em Portugal. “Estou na minha terra. Aqui sinto-me em casa”, afirma.
