Como se atinge um século de vida com vitalidade? Alice tem a resposta na ponta da língua. Em termos médicos, o pai "nunca foi homem de doença", apresentando sempre "umas análises ótimas, o sistema cardíaco sempre bom". Atualmente, toma apenas um comprimido para dormir, e mesmo esse, em dose reduzida.
Na alimentação, o segredo é o mais tradicional possível. "A sopa nunca podia faltar em casa. E até hoje come o caldinho dele, que ele gosta", revela a filha. E os vícios? "Nunca fumou, nunca bebeu demasiado".
Ainda assim, no dia do seu centenário, houve espaço para um brinde especial. Quando os netos lhe ofereceram três bolos de aniversário para provar, Manuel fez um pedido. "O avô pediu um copinho de vinho". A resposta de Alice foi imediata: "Dá-se, hoje é os anos dele, dá-se. Ele gosta muito de vinho maduro". O brinde não fez estragos: "Tomou um copinho de vinho, está ótimo", assegura a filha, entre risos.
Mas talvez o maior segredo para a longevidade do Sr. Manuel de Oliveira resida no coração. O amor pela esposa, já falecida, foi a grande âncora da sua vida. "Eram um casal sempre sentados no sofá, já velhinhos, mas sempre de mãos dadas", recorda Alice com ternura.
Quando a mãe faleceu, a família temeu o pior. "Nós estávamos mesmo convencidos que ele ia atrás dela, mas a nossa família nunca o deixou sentir-se sozinho". E é precisamente esse amor incondicional da família — que não o deixou sentir a solidão — o verdadeiro motor que permitiu ao Sr. Manuel, o homem que construiu blocos de cimento e uma família unida, continuar a construir, dia após dia, um século de vida.