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Sociedade
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Porto: Ministério Público acusa três homens de branqueamento de 900 mil euros ligados ao tráfico de droga

O Ministério Público acusou três homens e uma sociedade de branqueamento de capitais, envolvendo cerca de 900 mil euros provenientes de tráfico internacional de estupefacientes.

Redação

O Ministério Público (MP), através do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto, deduziu acusação contra três homens e uma sociedade comercial pelo crime de branqueamento de capitais. Em causa está a movimentação ilícita de cerca de 900 mil euros, que a investigação sustenta serem provenientes de operações de tráfico internacional de estupefacientes destinadas à Europa.

De acordo com a nota publicada pela Procuradoria-Geral Distrital do Porto (PGDP), os arguidos terão constituído uma empresa com “o único propósito de fazer circular” verbas associadas ao crime. A acusação, datada de 7 de maio de 2026, aponta que as quantias circulavam através de uma conta bancária titulada pela referida sociedade, de forma a ocultar a sua origem criminosa.

Empresa de fachada e faturação fictícia

A investigação detalha que os arguidos utilizaram mecanismos financeiros complexos para justificar a entrada de capital. No período em que decorreram os factos, a conta bancária da sociedade foi creditada com um valor total de 899.412 euros.

Para ludibriar as autoridades, os arguidos recorriam a “faturação fictícia” para justificar os movimentos monetários. Segundo o Ministério Público, estas quantias eram “provenientes do pagamento do estupefaciente e relacionadas com a logística” das operações de tráfico. O uso de sociedades de fachada é uma técnica comum em esquemas de branqueamento, visando dar uma aparência de legalidade a fundos obtidos através de atividades ilícitas.

Ligação a apreensão de 2,7 toneladas de cocaína

O caso agora acusado no Porto tem ramificações internacionais profundas. A investigação revelou que um dos arguidos já fora condenado pelas autoridades brasileiras devido à sua participação em atividades de tráfico internacional ocorridas em 2020.

Essa investigação anterior culminou na apreensão de “2.724 quilogramas de cocaína, escondida em carga de milho numa embarcação, e que se destinava à Europa”. A acusação sustenta que, enquanto decorriam estas operações de tráfico no Brasil, o grupo movimentava remotamente, a partir de Portugal, a conta bancária da sociedade agora arguida para gerir os lucros do crime.

Congelamento de fundos e perda a favor do Estado

O combate a este esquema foi possível graças ao acionamento de mecanismos preventivos. No âmbito da investigação, foi determinado o congelamento de 875.689 euros, montante que se encontrava sob o controlo dos arguidos.

Perante as evidências recolhidas, o Ministério Público requereu ao tribunal a “perda a favor do Estado do total das quantias ilícitas creditadas na conta da sociedade”. Esta medida visa garantir que os proventos do crime sejam recuperados pela esfera pública.

Este desfecho processual sublinha o rigor das autoridades do Norte de Portugal na vigilância de fluxos financeiros suspeitos. Para a comunidade marcoense e para os restantes residentes da região, este caso serve como um alerta para a importância dos sistemas de controlo bancário e da cooperação judiciária internacional na asfixia económica de redes de criminalidade organizada.