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Opinião
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Uma ponte, um problema, uma oportunidade de união

A Ponte de Canaveses, sobre o rio Tâmega, edificada devido à construção da barragem do Torrão e inaugurada em 1988, há quase 40 anos, é uma artéria vital para os concelhos que serve, principalmente Marco de Canaveses e Baião, mas também Resende e Cinfães.

Redação

No entanto, transforma-se diariamente num pesadelo para os que a atravessam. Filas intermináveis ao final do dia, tempo perdido, stress acumulado. É um cenário conhecido, e é hora de os autarcas locais se unirem para encontrar uma solução.

A falta de uma faixa adicional ou soluções alternativas mantém os contribuintes reféns de uma infraestrutura obsoleta. Na falta de outra travessia do rio nas proximidades, a Ponte de Canaveses é a única opção para milhares de pessoas que precisam de atravessar o Tâmega diariamente, seja para trabalhar, estudar ou aceder a serviços.

A última intervenção nesta travessia do Tâmega foi há quase 40 anos, a “reboque” da construção da barragem do Torrão. Como é possível que uma infraestrutura tão crítica para tanta gente esteja em tal estado de esquecimento?

Reflete-se aqui a eterna simetria do litoral-interior e Lisboa-resto do país: investimentos concentrados, periferias esquecidas. A Ponte de Canaveses não é só uma ponte; é um sintoma de abandono. Enquanto Lisboa e o litoral recebem investimentos milionários, zonas como a do Tâmega lutam por migalhas. É um padrão que se repete há décadas e que urge mudar.

A situação é ainda mais preocupante quando consideramos que, em caso de acidentes graves, a impossibilidade de socorro urgente por impossibilidade de circulação rápida de ambulâncias ou outras viaturas de socorro, em horas de ponta, pode significar a perda de vidas.

A Ponte de Canaveses está inserida na ligação da autoestrada A4 à A24 em Lamego, um eixo importante para a região. No entanto, a falta de capacidade da ponte compromete todo o fluxo. É um estrangulamento que afeta não só os residentes locais, mas também o transporte de mercadorias e o turismo. A economia local sofre com esta situação: empresas que desistem de investir, trabalhadores que desistem de procurar emprego por causa do trânsito... é um ciclo vicioso que urge ser quebrado.

É hora de os autarcas locais, eleitos para defender os interesses da população independentemente das cores partidárias, se unirem e pressionarem o poder central a investir numa solução. A união faz a força, e juntos podem fazer a diferença.  

A solução passa por uma intervenção urgente na ponte, com a adição de mais faixas ou a construção de uma estrutura paralela. É necessário pressionar o governo para que inclua esta obra no próximo Orçamento de Estado ou noutro qualquer Programa de Investimentos.

A região do Tâmega merece investimentos e atenção. É uma região dinâmica e com uma população empreendedora, mas que precisa ser ajudada. A Ponte de Canaveses não pode continuar a ser um problema ignorado. É uma questão de justiça e de desenvolvimento para a região.

João Azevedo