Não foi por vaidade, foi por coerência: "É uma imagem que não permite conhecer pormenores".
Num mundo onde a exposição é a norma, este especialista de Paredes começa por nos dar uma lição de privacidade antes mesmo de abrir a boca. E avisa: "temos mais telemóveis do que carros, mas continuamos sem uma 'Brigada de Trânsito' digital que nos proteja."
Se há alguém que sabe que "quando a esmola é grande, o santo desconfia", é Cláudio Oliveira. Com uma década e meia de experiência a lidar com as entranhas da informática, olha para o comportamento do utilizador comum com um misto de preocupação e pragmatismo.
Para o especialista, o maior erro da 'higiene digital' resume-se a três palavras que repetimos mecanicamente: "Next, next, next". Instalar aplicações sem ler, aceitar termos sem ver e abrir as portas da nossa vida digital a quem não conhecemos.
Mas, o perigo já não vive apenas dentro do ecrã. Cláudio alerta para um fenómeno crescente: a passagem da insegurança digital para a física. "As pessoas colocam informações que, não sendo sigilosas, dizem tudo sobre a rotina delas", explica. A foto no restaurante de luxo, o carro novo, o telemóvel de última geração. "Se estás naquele restaurante, sabemos que não estás em casa e sabemos que tens dinheiro". Sem querer, o utilizador está a convidar a um assalto à sua própria residência.

