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Sociedade
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Ordem dos Médicos defende literacia digital nas escolas ao nível do Português e Matemática

A Ordem dos Médicos defendeu no Parlamento uma reforma educativa para integrar a literacia digital no ensino, visando proteger e preparar os jovens.

Redação

A Ordem dos Médicos (OM) propôs esta quarta-feira, dia 6 de maio, uma reforma profunda no sistema educativo português. Em audição na Assembleia da República, a instituição defendeu que a literacia digital deve ser colocada em paralelo com disciplinas fundamentais como o Português ou a Matemática. O objetivo é garantir que os jovens de todo o país, incluindo os da nossa região e da comunidade marcoense, estejam preparados para utilizar as ferramentas digitais de forma segura e autónoma.

"Hoje, o mundo é digital e isso não é questionável. Não podemos proibir, temos de ensinar e preparar o futuro destes jovens", afirmou Almerinda Pereira, representante do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos. A intervenção ocorreu na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, no âmbito da apreciação de um projeto de lei do PSD que visa estabelecer medidas de proteção de crianças e jovens em ambientes digitais.

O papel da escola na democratização do saber digital

Para a Ordem dos Médicos, a verdadeira proteção dos jovens não reside no isolamento, mas sim no ensino estruturado. A médica Almerinda Pereira advogou a necessidade de um "alinhamento estratégico entre o Estado, a família e a escola", sublinhando que este processo deve ser acompanhado por uma "legislação mais fundamentada".

Neste contexto, a escola assume um papel central na eliminação de barreiras socioeconómicas. Segundo a representante:

  • A escola terá de democratizar o saber digital para garantir equidade;

  • Deve haver formação contínua para os pais, ensinando-os a lidar com a tecnologia;

  • É necessário um plano de atualização para professores que ajude a identificar sinais de "cyberbullying" e dependência.

A médica sublinhou que os problemas de dependência das redes sociais "podem estar fora do contexto escolar, mas ter reflexos no rendimento escolar das crianças", exigindo uma atenção redobrada dos docentes.

Apoio psicológico e gestão de comportamentos online

Para além das competências técnicas, a reforma sugerida pela OM foca-se na saúde mental. A médica defendeu a inclusão de medidas de apoio psicológico que ajudem os alunos a lidar com a frustração, o tédio e o ódio no espaço virtual. "O objetivo final, para nós, é que haja equidade, igualdade e autonomia no uso das redes sociais", declarou.

A formação deve preparar os jovens para a realidade tecnológica atual em vez de os "isolar", uma preocupação que ressoa entre os educadores do Norte de Portugal, onde a integração digital nas salas de aula tem sido um desafio constante.

Jovens alertam para o "vazio" de proteção após os 16 anos

A audição parlamentar contou também com o testemunho de jovens que, embora favoráveis a restrições, alertaram para a vulnerabilidade que se segue à idade limite de proteção proposta. David, um dos jovens presentes, reforçou esta ideia de insegurança: "Estamos a proteger o jovem até aos 13 ou aos 16 anos e o que vem depois… temos de preparar os jovens".

O jovem partilhou ainda um exemplo pessoal sobre os perigos dos algoritmos de recomendação, que muitas vezes escapam ao âmbito legislativo. "Quando criei o Instagram disse que era um jovem adolescente, masculino. O que é que me apareceu? Só apareceu conteúdo sexual e de violência", relatou David, evidenciando como a falta de literacia e o funcionamento das plataformas podem expor menores a conteúdos desadequados de forma imediata.