Na semana de 13 a 19 de abril, os preços dos combustíveis em Portugal continental vão registar a primeira descida relevante desde o início da crise. As previsões apontam para uma descida de 6 cêntimos por litro no gasóleo e de 3,5 cêntimos na gasolina.
Estas estimativas são baseadas em cálculos que consideram as cotações nos mercados internacionais, impulsionadas por uma queda histórica do preço do petróleo registada na passada quarta-feira, e outros fatores que influenciam a flutuação em Portugal. No entanto, os valores são apenas indicativos e podem ajudar os condutores a decidir se abastecem de imediato ou se esperam por segunda-feira.
Em Portugal, a política de preços é livre, pelo que cada marca e posto de combustível define o valor que entender. Atualmente, já existem mais de 2.705 postos em território nacional a comercializar o gasóleo simples acima dos 2 euros por litro.
Esta descida surge após várias semanas de agravamentos contínuos:
Nas alterações mais recentes das semanas anteriores, o gasóleo registou subidas expressivas (como 9 cêntimos, 1 cêntimo, 12,8 cêntimos e 8,3 cêntimos), após um período que incluiu o descongelamento do ISP.
A gasolina seguiu uma tendência semelhante nas semanas anteriores, com subidas recentes de 4 cêntimos, uma descida de 1 cêntimo e aumentos anteriores de 7,3 e 6,7 cêntimos.
Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, desde 8 de março, o gasóleo simples subiu cerca de 44 cêntimos e a gasolina 95 aumentou aproximadamente 20 cêntimos.
Desde o início do conflito no Médio Oriente, o impacto acumulado é ainda maior: o gasóleo aumentou 55 cêntimos por litro e a gasolina registou uma subida de 26 cêntimos.
Apesar da perspetiva de alívio, os consumidores mostram-se reticentes e acreditam que a descida não compensará a escalada recente, utilizando a expressão de que os combustíveis "sobem 50 cêntimos e descem 1". Os valores atuais são considerados difíceis de suportar no orçamento de famílias e empresas, o que já motivou uma mudança de hábitos: os condutores estão a reduzir as deslocações, a controlar melhor o consumo de combustível e a recorrer com mais frequência aos transportes públicos.
Em declarações à SIC, os consumidores queixaram-se de que os aumentos são incomportáveis e classificaram as medidas de mitigação do Governo como insuficientes, apontando a vizinha Espanha como um exemplo de políticas mais eficazes.
Por sua vez, a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) corrobora a previsão de descida para a próxima semana, mas deixa um alerta aos consumidores: as descidas dos preços deverão ocorrer de forma mais lenta do que os aumentos que se registaram até ao momento.